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Escola franco-belga e o violino solo brasileiro: Flausino Vale e Marcos Salles - comentário sobre ideologia na história violinística.

Impostos e envio não incluídos
  • Autor: Zoltan Paulinyi
  • Estado: Público
  • Nº de páginas: 178
  • Tamanho: 210x297
  • Miolo: Preto e branco
  • Paginação: Colado
  • Acabamento da capa: Brilho
  • ISBN Acabamento em capa mole: 978-989-97780-5-4
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Marcos Salles (1885-1965) e Flausino Vale (1894-1954) compuseram para violino desacompanhado no início do século XX, possivelmente inaugurando a escrita sistemática para violino solo por brasileiros natos. Obras destes dois amigos violinistas são aqui divulgadas, identificando-se a influência da escola franco-belga na história técnica e literária do violino no Brasil por meio da análise comparativa de fórmulas instrumentais características. A metodologia apontada por Bosi (2010) para o estudo ideológico é a historicização tópica das obras e palavras dos representantes das escolas abordadas. A diferenciação das escolas é evidenciada pelo repertório para violino solo e pelos tratados de Geminiani, Leopold Mozart, Baillot e Flesch, os quais documentam a evolução técnica e ideológica da arte violinística. A comparação da moderna escola francesa com a antiga permite verificar antes seu contínuo desenvolvimento do que propriamente uma ruptura. A moderna escola francesa, liderada por Baillot, desde o início do Conservatório de Paris no final do século XVIII, impôs-se em toda a Europa não somente pelo reconhecimento de sua excelência artística, mas também por grande força ideológica-política, modelando o sistema de ensino musical e influenciando o estilo composicional em vários países. No Brasil, o cenário cultural foi muito diferente, mas a influência da moderna escola francesa não tardou a chegar. Naquele contexto, as obras de Marcos Salles e Flausino Vale buscavam certa autonomia artística e não propriamente independência, visto não contradizerem os ideais europeus. Os primeiros seis Caprichos (1907-1909) de Salles distinguem-se dos estilos italiano e franco-belga por sua sistemática alternância modal. As obras de Vale, um pouco posteriores, dividem-se entre originais e transcrições (ou arranjos); enquadram-se no paradigma paisagístico e ideológico de identidade nacional explicado por Maria Alice Volpe (2001). Recentemente acessíveis, seus dois "temas com variações" ampliam as perspectivas sobre sua técnica violinística. Sua partitura "Variações sobre a canção Paganini" apresenta-se editada aqui na íntegra; é um dos primeiros registros de uso do sotto le corde no violino. As dezenas de transcrições de Vale não devem ser menosprezadas, pois algumas agregam alto valor artístico, como "A Casinha Pequenina" de Bernardino Belém de Souza, bem como os próprios temas de suas variações. Entre suas transcrições, encontra-se uma coleção de sons da natureza, alguns dos quais foram incorporados em suas composições e arranjos. A ampliação da listagem geral das obras de Flausino Vale incorporando transcrições ao seu conjunto de obras solísticas originais permite novas pesquisas histórico-sociais sobre a prática musical mineira da primeira metade do século XX.

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