Calendario 12 / Abril / 2018 Cantidad de comentario Sem comentários

 

A maior parte dos escritores, quando projetam um romance, esperam que as suas personagens sejam peculiares. Tentam, portanto fugir a estereótipos ou a personagens-tipo.

No entanto, em maior ou menor medida, acabam por se enquadrar num número limitado de personagens-tipo mais frequentes em ficção.

 

Anatomia das personagens-tipo

A tipologia das personagens nos romances

 

Atualmente, dada a quantidade de romances já existentes, é extraordinariamente complexo fugir aos tipos já criados no passado.

Embora a variedade seja incomensurável, eis alguns dos mais frequentes:

O “bad boy”: homem entre os 18 e os 35 anos, preocupado com a forma física e com uma elevada carga de narcisismo na sua imagem de si mesmo. Desloca-se num carro desportivo ou motorizada de alta cilindrada e faz sucesso entre a ala feminina. Normalmente tem dois fins possíveis: apaixonar-se pela rapariga mais singela e improvável, à qual inflige sofrimento emocional para dissimular o seu amor ou servir de antagonista à personagem principal do enredo.

A rapariga bem-intencionada ou o rapaz médio: é normalmente protagonista e consegue por regra levar a bom porto os seus objetivos. Há um elemento de desenraizamento ou desproteção no modo como se tenta inserir na sociedade até encontrar uma personagem que lhe oferece apoio. Tem preferência por tarefas intelectuais nos tempos livres, tais como a leitura e o cinema.

O “freak”: jovem, com óculos, avesso ao exercício físico ou às actividades em grupo que não se insiram no contexto dos videojogos. É admirador do imaginário dos super-heróis manga ou de banda desenhada. Tem uma paixão platónica pela rapariga bem-parecida do grupo, e a seu ver, inalcançável, sendo todo o enredo acerca de como consegue que esta lhe corresponda à paixão.

O hippie: surge tanto na versão feminina como masculina. É amante do ar livre, da música alternativa, da alimentação vegetariana e do artesanato.

O traidor: personagem do grupo de amigos dos protagonistas que, num momento crucial, os desilude e atraiçoa. Não é incomum que no final, acabe arrependido por esta atuação.

 

Como fintar a tipificação

 

A tipologia das personagens nos romances

 

É interessante e de grande importância, antes de começar a escrever o romance propriamente dito, traçar uma biografia de cada uma das personagens. Deste modo, poderemos dar seguimento a aspetos das suas personalidades que, de outro modo, passariam despercebidos.

Do ponto de vista do leitor, aproximar-se do quotidiano dos protagonistas é muito atraente para entender melhor as suas motivações. A personagem será tão mais credível quando melhor se conheçam as suas metas e sonhos, os seus gostos e o modo como gere as suas relações com outras personagens.

Este tipo de detalhes proporciona-lhe espessura, substância e uma verossimilhança que lhe permite dar o salto entre ser uma criação numa página de um livro e ocupar o seu próprio espaço na mente do leitor, na sua imaginação e no plano da vida hipotética que damos a todas as personagens das grandes obras literárias.

Em suma, mais importante que o estereótipo do qual se parte é sublinhar as suas especificidades, os apontamentos de carácter que tornam uma personagem única.

A adjetivação excessiva na definição da personagem ou dos ambientes em que se insere (paisagens, objetos que o rodeiam) é um erro comum, que torna frequentemente a leitura mais monótona e não cria por si só as peculiaridades que procuramos ao criar uma vida ficcional. É crucial, por isso, o papel da correção após a finalização da obra.

Concorda com a nossa tipificação nas personagens? Que têm de especial as personagens ficcionais que mais o marcaram? Esperamos tê-lo ajudado no seu processo criativo e incentivamo-lo a que partilhe connosco as suas opiniões.

Até breve!

 

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