Calendario 28 / Junho / 2017 Cantidad de comentario Sem comentários

Quando quer acrescentar diálogos à sua história, o mais fácil é pensar como as pessoas conversa na realidade. Esta é a nossa principal referência, a primeira fonte de inspiração. No entanto, se se sentar a ouvir as conversas à sua volta, vai descobrir que muitas delas não funcionam no papel.

Na verdade, se é um bom escritor, vai perceber que os diálogos escritor não têm nada a ver com os que nos rodeiam diariamente… Neste post, vamos falar das diferenças entre ambos os tipos de diálogos para que possa fazer frente à tarefa de escrevê-los com mais experiência.

Diálogos: da vida real ao papel

As interrupções e as mudanças de assunto

Pense, por exemplo, nas interrupções ou dúvidas que usamos nos nossos diálogos. Algumas delas podem funcionar bem no papel, mas não da mesma forma que acontece na vida real. Consegue imaginar alguém a dizer literalmente «Ma-ma-mas… co-como sabes isso?»? Nós também não. E, no entanto, esta grafia ajuda um leitor a compreender melhor o que passa pela cabeça da personagem.

Um rasgo muito típico das conversas faladas é que têm a tendência a mudar de um tema a outro sem demasiada relação. Como seriam os diálogos das suas personagens se reproduzissem isto? Provavelmente seria impossível continuar o fio da conversa e o leitor acabaria por entediar-se. Da mesma forma, uma conversa demasiado literal, «de elevador», pode tornar-se chata, textual e pouco transcendente. A chave reside em utilizar o diálogo para representar uma situação pontual, que puxe pela narração, em vez de reproduzir uma cena passo-a-passo.

Para saber se está a fazê-lo bem, pode perguntar-se: Este diálogo empurra a história para a frente? Se a resposta é não, então deve pegar numa tesoura e recortar tudo o que não faça a história avançar. E si se perguntar porque não funciona o seu diálogo, o mais provável é que o esteja a utilizar para preencher um vazio, resultado de um momento de pouca inspiração.

Conclusão: na vida real conversamos o tempo todo, mas os seus leitores não precisam de ler uma conversa retratada minuto a minuto para compreender o que acontece na ficção. As descrições e o contexto são igualmente importantes e deve procurar um equilíbrio entre o que conta e o que precisa de imaginar para reproduzir essa cena. Selecione aqueles fragmentos do diálogo que realmente empurram a história.

Retratar a personalidade nos diálogos

Não esqueçamos que um dos objectivos dos diálogos é mostrar as suas personagens em acção. São uma parte da narração especialmente útil para conhecê-los em profundidade, ver como se exprimem, como se sentem… E permitem-nos revelar estes dados ao leitor sem ter que recorrer ao narrador ou a incisos. Trata-se, de certa forma, de uma via de comunicação directa.

Na vida real não falamos apenas com as palavras, mas também com gestos e, mais importante do que isso, com tons. É difícil recriar essa riqueza sem explicações, que ajudam o leitor a obter um contexto que o próprio diálogo ajuda a construir, criando um certo equilíbrio.

O extremo mais perigoso: o vulgar

Há um risco enorme ao “decalcar” a linguagem oral: reproduzir exactamente palavrões, onomatopeias, formas da fala, dificuldades na pronunciação… Abusar de estes recursos pode tornar a leitura impossível. Escolha bem aqueles vai utilizar (por exemplo, tiques para as suas personagens, rasgos concretos da fala numa zona geográfica, calão) e não abuse deles. Dosifique o seu uso e acabará por conseguir que o leitor os capte na sua justa medida.

Lembre-se que o objectivo é que q conversa pareça realista e não forçada.

Definitivamente, a pesar de que podemos tirar muitas ideias das conversas quotidianas, da vida real, os diálogos têm uma narrativa própria. Explore os diferentes conselhos que lhe oferecemos neste artigo e experimente pô-los em prática para melhorar a sua escrita. Para mais ideias sobre a escrita de diálogos, recomendamos a leitura da nossa publicação sobre conselhos para os escrever.

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