Calendario 21 / Janeiro / 2019 Cantidad de comentario Sem comentários

Ilustração os fugidos Bubok – Caro Felício, desde que começamos a trabalhar no seu projeto “Os Fugidos”, sentimos uma enorme curiosidade por você e a sua trajetória. É muito interessante conhecer todas as voltas que deu ao longo da sua vida, provocadas por uma incessante procura de crescer como pessoa e de fazer crescer a seu país de nascimento: São Tomé e Príncipe.

– Conte-nos um bocadinho… como são essas ilhas no meio do Atlântico?

 

Felício – São ilhas do meio do mundo, maravilhosas e povoadas de gente encantadora. Basta só ver que na de São Tomé, sobre o seu Ilhéu das Rolas, passa a linha do Equador e poderá colocar ao mesmo tempo um dos seus pés no Hemisfério Norte e outro no Hemisfério Sul. Na Ilha do Príncipe que hoje é Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO, com um formidável projeto. Este ano comemora-se nela o Centenário da Comprovação da Teoria de Relatividade em 29 de maio.

– Sempre esteve ligado à música tradicional dali, certo? Fale-nos da sua trajetória como músico, divulgador da música tradicional e do seu trabalho como educador através da música.

Felício – Desde pequenino frequentei todas as festas tradicionais com a mãe e irmãs. Não era bailarino, mas gostava de cantar e responder ao coro. Tendo sido militar fui cantor numa orquestra militar, mais tarde, sendo professor optei pela transmissão aos meus alunos desse saber desde o pré-primário aos jovens do Liceu.

– Você é o coautor do hino regional da ilha do Príncipe que hoje é uma Região Autónoma! Isto é um fato de grande interesse. De certeza, o seu nome já está nos livros de história do seu país. Como foi essa aventura? Foi difícil de compor?

Felício – Tendo recebido do Governo Regional do Príncipe essa solicitação, com muito gosto fiz o meu melhor. A vontade de apoiar a ilha, onde vi pela primeira vez a luz do Sol, foi tão grande que preferi lançar-me ao trabalho imediatamente com muito amor.

Estrevista a Felício Mendes, autor de “Os Fugidos” – Vamos já falar de “Os Fugidos”: É um livro de histórias transcritas da tradição oral do Príncipe. Foi da voz da sua mãe que as ouviu pela primeira vez. Toda a gente ali conhece essas histórias?

Felício – A gente da ilha do Príncipe já ouviu falar de alguns aspetos de uma ou outra dessas histórias, talvez não de todas. Mesmo vários detalhes que ali descrevo poderá já não haver gente que se lembre.

– São feitos muito amargos da história de um país… a escravatura, a desesperação dos que a viveram e dos que escaparam a ela… o medo dos autóctones da ilha a esses fugidos perigosos cheios de raiva… Quando aconteceram estes feitos e qual é o peso atual na sociedade?

Felício – Esses acontecimentos tiveram lugar no início do século XX, com a importação de nova mão de obra vinda de Cabo verde, Angola e Moçambique, para substituir os escravos libertados, pois a recusa desses últimos e seus descendentes, para trabalharem para os novos patrões, foi perentória. Só terminaram, na realidade, em meados dos anos cinquenta, com um grande massacre em 1953 na ilha de São Tomé.

– Por que decidiu escrever este livro?

Felício – Decidi escrever porque fora intenção carinhosa da minha mãe transmitir oralmente tudo o que ela viveu e sabia, herdado de seus pais e avós. Não me perdoaria se caísse definitivamente no esquecimento. Apesar de tudo faz parte da história da humanidade.

– Os Fugidos é um livro ilustrado, pode falar desses desenhos e do seu autor?

Felício: Sim, o Gervásio Pina. É um amigo, também de S.Tomé e Príncipe, que tem vários trabalhos de que gosto muito, a quem recorri para ilustrar este livro, pois sabia que o resultado seria magnífico. Ele pertence a uma grande família de pintores e desenhadores de S.Tomé e Príncipe.
O processo de ilustração do livro foi encantador. Enquanto contava as histórias ao ilustrador, ele foi desenhando, transferindo para o papel imagens que representavam de forma incrível o que ouvia.

– É o seu primeiro livro?

– Felício – Sim, mas se Deus me der mais vida e saúde, não será o último. Aliás, já tenho mais alguns na forja.

– Foi difícil de criar?

Felício – Não. Partindo do pleno conhecimento dos factos, foi meio caminho andado.

– Para você tem muito valor pessoal e sentimental a história?

Felício – Imenso. Uma das imagens da minha mãe que mais guardo é vê-la sentadinha na sua cama contando-nos histórias, fazendo gestos para que compreendêssemos melhor os diversos cenários e as ações.

– Tem em mente escrever mais? Sobre algum tema em especial?

Felício – Sim. Já o tenho selecionado.

– Como foi a sua experiência na Bubok?

– Felício – Perfeita. São muito profissionais, corretos e eficientes. Recomendo vivamente!

– Terá alguma apresentação oficial do livro?

– Felício – Por enquanto, não. Mas vendo que brevemente será publicado o meu primeiro rebento literário, vou fazer alguns contactos para ver se consigo uma abertura para tal.

Muito obrigada, esperamos que tenha muito êxito.

Um abraço!

Aqui pode comprar o livro “Os Fugidos” de Felício Mendes.

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