Calendario 31 / Outubro / 2019 Cantidad de comentario Sem comentários

Peter Handke é um escritor austríaco. É também autor de teatro, romances, poesia, argumentista e realizador de cinema. Recebeu o Nobel de Literatura de 2019. Wikipedia.

 

Peter Handke em 1970

Mehner/Ullstein Bild, via Getty Images

 

Há uns dias, no comboio de A Corunha a Ourense, li um jornal à séria. Ou seja: Um jornal em papel.

 

Havia muito tempo que não fazia, porque agora todo é, ou parece, online na minha vida. Sinceramente, a leitura em papel sempre é um plus para mim. Parece até que estou mais atenta.

O que ocorreu foi que na parte cultural, em concreto na literária, falava o austríaco Peter Handke.

Hemon é um escritor Bosnio-americano; e como tal, não conseguiu conter a raiva com a eleição do júri deste ano. Peter Handke foi muitas vezes acusado de apoiar e enaltecer ao ditador Slobodan Milošević.

Apesar de ser um autor conceituado, Peter Handke esteve envolvido em várias polémicas ao longo da sua carreira. Tem sido descrito como um apoiante do regime de extrema-direita da Sérvia que governava a Jugoslávia até à Guerra dos Balcãs.

Handke sempre criticou a posição dos países ocidentais e a respetiva comunicação social. Fez até um discurso oficial para 20 mil pessoas no funeral de Slobodan Milošević, o principal político sérvio durante os anos 90, que foi acusado de genocídio ao povo bósnio, entre outros crimes de guerra.

Milošević pediu a Peter Handke que fosse testemunha da defesa no julgamento dos crimes da antiga Jugoslávia, mas o escritor recusou — apesar de ter ido assistir às sessões, e mais tarde ter escrito sobre elas.

Em 1999, o prestigiado escritor Salman Rushdie escreveu que Handke “chocou até os seus mais fervorosos fãs pelas suas várias apologias do regime genocida de Slobodan Milošević”. O autor disse ainda que Handke tinha negado várias vezes o genocídio e o austríaco recebeu uma condecoração do antigo presidente sérvio.

Extrato da nota sobre o Nobel da “New in Town

 

A polémica é grande, notória e dolorosa para muitos. Não obstante, o escritor expressou no passado o seu desconforto com este tema, alegando que o que ele mais criticava era o tratamento dos média coa guerra dos Balcãs e que o povo Sérvio é a verdadeira vítima deste conflito. Afirma uma campanha mediática em contra desse povo, com a tendenciosa opinião do império dominante norte-americano. Fala da difusão através das grandes corporações de comunicação. Escreve, baseando-se nas suas viagens a Sérvia nos tempos do conflito.

Aqui, presentamos novamente o dilema eterno de:

Podemos separar à obra literária de um autor do seu controverso pensamento político?

 

É realmente uma questão difícil. Os júris do prémio seguramente tiveram uma deliberação cheia de discussões e desconforto.

Eu, sinceramente, tenho muita empatia com as vítimas de uma massacre, e não comparto a decisão dos júris. Penso que um prémio tão universal, tem de ter em conta as feridas abertas de toda a humanidade. Não entanto, sim penso que é importante continuar a ler a este escritor.

Peter Handke, contudo, é um escritor admirável.

Foi e é um autor prolífico em literatura e cinema. É um intelectual valioso cujas opiniões estão razoadas. Por isso, para se informar deste conflito, pode ser bom ler todas as arestas. O livro “Preguntando entre lágrimas” é o que mais secciona a sua opinião neste tema.

 

O quê acham? Queremos encarecidamente que nos comentem a sua opinião sobre este polémico tema tão de atualidade.

 

Olga Pastor para Bubok.pt

 

 

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