Calendario 08 / Novembro / 2019 Cantidad de comentario Sem comentários

Este ano, o Booker Prize foi uma verdadeira onda de emoções que causou caos na cabeça dos júris. E como não! As mulheres escritoras estão a mostrar o que têm e, ademais, estão a fazê-lo à grande. Já sabemos que o prémio foi concedido a “Girl, Woman, Other” de Bernardine Evaristo e “The Testaments” de Margaret Atwood; depois que os juízes se rebelaram contra as regras. Agora, vamos dar um passo de cada vez e examinar mais de perto a uma dessas grandes damas que estão a causar impacto no cenário literário de hoje: Margaret Atwood.

Margaret Atwood bubokO QUÊ HAVIA ANTES DO “THE HANDMAID’S TALE”?

Para M. Atwood, o prémio chega num momento de relevância cultural renovada para “The Handmaid’s Tale”, que já vendeu mais de 8 milhões de cópias em inglês em todo o mundo. Aos 79 anos, ela não é apenas a escritora viva mais famosa do Canadá, mas também a vencedora do prémio com mais idade. Além disso, ela tornou-se a quarta autora a ganhar o prémio duas vezes. A primeira vez foi no ano 2000, com o seu romance de ficção histórica “The Blind Assassin”. Quão inspirador é isto?

Primeiramente, Margaret Atwood é autora de 60 livros de ficção, poesia e ensaios críticos. Entre os seus inúmeros prémios, há uma bolsa Guggenheim, um prémio Molson, um prémio humanitário Ida Nudel e um prémio de ficção curta do Canadá. Os seus romances incluem “Olho de Gato”, pré-selecionado para o Booker Prize, “Chamavam-lhe Grace”, que ganhou o Prémio Giller no Canadá e o Prémio Mondello em Itália, “Oryx e Crex”, também pré-selecionado para o Man Booker Prize. A escritora também recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias de Literatura em 2008.

Isto pode parecer possível apenas graças às maiores editoras que representam muitas celebridades. No entanto, Margaret Atwood nos prova que o caminho para o reconhecimento não precisa começar com nomes de prestígio na capa do seu livro. Muito provavelmente muitos ouviram falar dela somente depois que a história distópica “The Handmaid’s Tale” chegou a televisão. Este romance de 1985 será, sem dúvida, o livro que estabeleceu o nome de Margaret Atwood para sempre. No entanto, ela conquistou o seu lugar no mundo literário muito antes de a personagem de Offred nascer.

MARGARET ATWOOD COMEÇOU COM POESIA AUTO-PUBLICADA

Se voltássemos no tempo para 1961 e verificássemos Margaret Atwood com 20 e poucos anos, veríamos quão pequenos, porém importantes, eram seus primeiros passos para a indústria editorial. O seu primeiro livro era de 16 páginas. 7 poemas auto-publicados. Um chapbook de 13×16 cm “Double Persephone” é seu primeiro trabalho publicado que foi premiado com o E.J. Medalha Pratt em Poesia na Universidade de Toronto. A escritora não se preocupou nesse momento em procurar alguém para representá-la. Na verdade, ela nem colocou nenhuma informação biográfica no livro. É bastante fascinante quando nos paramos a pensar sobre isso: uma super estrela literária, cujo nome tem ecoado em todo o mundo, iniciou a sua carreira com um trabalho não assinado.

Double PersephoneAgora ela escreve a tempo completo e, com certeza, não precisa se preocupar com nada técnico. Ao contrário dos tempos passados posto que, ela montou a própria “Perséfone Dupla” com uma prensa de mesa, desenhou a capa com linogravura e até montou o livro. Em uma das entrevistas, perguntou-se a Margaret Atwood o que ela descreveria como a sua maior recompensa como escritora. Ela lembra: “O primeiro poema que publiquei foi muito. Todas as outras coisas que aconteceram desde então foram emocionantes, mas essa foi a maior. ” Essas palavras de uma das autoras mais famosas e prolíficas devem confirmar que, no contexto de todos os medos que os aspirantes a escritores têm, na verdade, não há nada do que ter medo. O primeiro trabalho que se publica pode aquecer o coração como nenhum outro. E pode ser o ponto de avanço: superar as maiores inseguranças como escritor.

O PRIMEIRO PASSO É IMPORTANTE

O que mais podemos aprender com a Margaret Atwood? Muitas coisas, certamente. entretanto, se seguirmos a história pessoal dela, sabemos que, para terminar como uma autora de best-sellers, não é preciso ter um best-seller no início da carreira. Sim, ela conseguiu “Double Persephone”, mas não a definiu como autora; “A História de Uma Serva” fez.
Deseja vender um número incontável de cópias dos seus livros em todo o mundo? Saiba então que não há vergonha em começar com um livro de 16 páginas ao preço de 0,50 euros e com uma tiragem de apenas 220 cópias. É, contudo, um trabalho criativo e faz de você um autor publicado pela primeira vez.

As personagens de Margaret Atwood são capazes de dar voz a poderosos conceitos de feminismo. Ela diz a este respeito: “Mostrou-me (o feminismo) que é possível fazer coisas. E, além disso, existem esses pontos de entrada que envolvem como a auto-publicação”. Em conclusão, Margaret Atwood deixa uma coisa clara: Com um pouco de esforço, muito trabalho duro e um coração inteiro, uma produção em pequena escala pode-se tornar um ponto de partida para grandes conquistas. Na verdade, ainda melhor: pode levar à realização dos sonhos que muitos têm: escrever.

Margaret Atwood: da auto-publicação às Estrelas Literárias

“If I waited for perfection, I would never write a word.”

— Margaret Atwood

Photo credits: Imeh Akpanudosen/Getty Images Entertainment (left corner), ldrb.ca (right), IBL/REX/Shutterstock (bottom).

Kotryna from Bubok.com (Traducido por Olga Pastor para Bubok.pt)

 

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