Calendario 25 / Janeiro / 2018 Cantidad de comentario Sem comentários
Segundas partes… sim ou não?

 

Como escritor, um dos melhores feedbacks que se pode ter é o saber que o leitor ficou ávido de ler mais no final de um livro, mas nem sempre as segundas partes cumprem as expectativas. É por isso que nos questionamos: serão sempre boas as sequelas?

Nas livrarias podemos ver muitas sagas literárias de sucesso, como trilogias ou séries. Caso, por exemplo d’O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Millennium ou Os Pilares da Terra. É apenas uma pequena amostra mas o que importa reter é: são necessárias segundas, terceiras ou quartas partes?

 

Uma moda (supostamente) passageira

Trilogias e sagas sempre houve, mas nos últimos anos multiplicaram-se até se transformar em tendência, especialmente na literatura juvenil, onde é frequente encontrar sagas de sete ou oito livros.

Outrora chegou-se a considerar a escrita de sequelas de uma obra seria uma moda passageira, mas o facto é que o tempo tem provado que o formato se consolidou e joga agora um papel destaque no mundo editorial.

 

Segundas partes…sim ou não?

O erro de base nasce, geralmente, em considerar a saga como um produto a vender em conjunto, com um valor superior ao do romance sem sequelas. O que, em si, comporta uma falácia.

A viabilidade da saga depende não apenas da sua extensão, mas da fertilidade da sua trama, que, para justificar a existência de várias partes deve estar não apenas bem estruturada, contar com personagens ricas que evoluem com ela, assim como com finais em aberto e descrições que ganhem um peso simbólico de modo a manter bem ligado o tecido narrativo.

Deste modo, e sustentada numa campanha publicitária bem direcionada, cria-se uma expectativa sobre o desenvolvimento da história que fideliza leitores para a compra do romance seguinte.

Porém, nem todos os romances justificam uma sequela. Os que são, pela natureza narrativa e resolução do enredo, mais curtos, ganham mais com esta brevidade do que com um prolongamento artificial, sob risco de perder a atenção do leitor.

Tal como sucede com os filmes muito extensos, que seja muito longo não equivale a que seja viável dividir um romance em partes, porque estes “cortes” num discurso que se criou fechado sobre si mesmo, além de causar desagrado pela interrupção abrupta, deixa a nu uma intencionalidade que poderá ter numa audiência que se quer atenta o efeito oposto ao que se deseja.

Se o que se pretende é transformar o romance em trilogia ou série, um bom método para avaliar a exequibilidade das sequelas é pedir uma opinião de confiança (amigos, família ou contactos pessoais com fortes hábitos de leitura) tanto sobre se criaram vínculo com o conteúdo já terminado como indagar se comprariam uma hipotética continuação da trama em questão.

Poder-se-á contar também com a ajuda de profissionais do mundo editorial, que não apenas fariam as necessárias correções formais como assessorariam sobre o modo de abordar o conteúdo aos leitores – o que inclui, precisamente, a viabilidade da divisão em partes.

Esperamos que este post o tenha ajudado a ponderar sobre os moldes da obra que tem em mão, quer seja ou não uma saga. Muitas das soluções criativas nascem nas situações mais inusitadas de diálogo e é por isso que o desafiamos a partilhar connosco e com outros escritores as suas dúvidas, sugestões ou ideias. Pode começar já na caixa de comentários abaixo!

 

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