Azul do Sul

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“Azul do Sul” é uma metáforaé um lugar mítico e movediço, um lugar impermanente, um tempo inconstante ondesó o céu e o mar permanecem no seu lugar, além do azul, que se deseja global,constante, clímax da felicidade humana, da lucidez, da transparência domulticulturalismo nas suas milhentas formas, raízes e manifestaçõesidiossincráticas.? também um reencontro dealma com o corpo, com a substância da vida, com os elementos da natureza e suastonalidades e com os universos oníricos, psicológicos, indistintos e concretosque se movem cardinalmente de norte para sul e vice-versa.Uma escrita de viagem,sugerindo um caminho da infância à idade madura, uma escrita de viagem no temporeal e oculto, passando pela primavera, o verão o outono o inverno, o nascentee o poente.. A dicotomia norte-sul ao longo do texto poético aponta-nos parauma visão um tanto maniqueísta entre o Bem e o Mal, em que o primeiro vaiperecendo decadentemente minado pela corrupção dos valores humanos, a avidez ainveja e mesquinhez, enquanto o sul nos transporta para um universo quasesobrenatural, límpido, transparente, quase como um hino à alegria à belezahumana e da natureza e obviamente ao azul, visto que a norte perduram overmelho do sangue derramado, o cinzento do quotidiano, o negro da morte,revelando-se nesta busca do sujeito poético uma semiótica cromática polissêmicanuma viagem num processo de «Lost Paradise» e «Regained Paradise»Assim, o norte também elemetafórico, representa os seres humanos vivos, desfigurados, desumanizados,enrugados e corrompidos pelo próprio homem, a sua condição destruidora dacapacidade de sonhar de fazer ... e reconstruir. O norte é pouco ou nada amigodo ambiente, o sul é a natureza e a sua ligação ao homem, ao sol, ao luar, àágua, ao ar e ao espaço da escrita, o lugar de todas as marés vivas enquanto onorte mais uma vez é espaço defado putrificado, o espaço e tempo das marés mortas.VascoCabral de Magalhães, poeta viajante, errante, cosmopolita, excêntrico, despidode preconceitos de linguagem, afortunado, inconformado com o tédio global aapatia global que actualmente esmaga a criação a individualidade traz-nos em«Deuses de Barro…», a bizarria, a hipocrisia, a verdade pós-mentira de todos osespectros políticos à escala transnacional, numa sátira acutilante, sem medo nemrodeios, feroz num escárnio, numa náusea, num gozo contundente num divertimentosério, numa paródia onde não faltam as farpas viperinas, cáusticas plenas dehumor negro, caricaturais em que o sujeito poético assume-se como Deus – opoema e o poeta não morrem-, numa espécie de auto-ironia, de jogo de monopóliocom o mundo e o novo deus- o Dinheiro-, e a ambição desmedida, pacóvia,provinciana do exercício do poder pelo poder a troco de uma linha ou simplesparagrafo na história nacional ou mundial, revelando o carácter mesquinho, apequenez, a vaidade de líderes, de homens menores.Namesma linha, porém remetido ao contexto nacional português antes e após Abril,Vasco C. Magalhães apresenta-nos como que um skecth, um entremez a respeito doEstado Novo e dos líderes políticos pós revolução num incrível e jocoso poemaarrepiante, hilariante da história recente e contemporânea portuguesas.O poema«Deus de Barro», assim como a «Paródia dos Sete Antónios … do Norte»,remetem-nos para o Reino da Dinamarca, para Hamlet de Shakespeare, onde ainveja a traição, a corrupção corrompem a corte decadente, despida de valoreshumanos …Poroutro lado, os dois poemas sugerem-nos o mundo automatizado, o mundo autómatosformatados mecanizados de o «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley e maisrecentemente para os universos orwellianos de «Animal Farm» e «1984», tudo istopor oposição à ideia de Utopia subjacente a Sul.Estandoa poesia de intervenção, de resistência a atravessar uma profunda crise frutodo medo que se instalou à escala mundial no mundo da arte e da literatura emparticular, Azul do Sul não deixará de marcar a diferença, de se vir a revelaruma obra marcante no futuro tanto pela coragem e rebeldia do autor nestes doispoemas em especial, mas também pelas tonalidades de matriz social, políticahumana transversal a toda a obra, a qual se revela como um acordar dasconsciências contra a alienação, a endocrinação, o pensamento único,totalitário da ideologia global assente no medo no terror na mordaça na autocensurae nos eufemismos em que a liberdade de expressão individual, a democracia estãoem causa e que apenas tem servido maravilhosamente a ignorância, a formatação,gente acrítica e mesmo manipulando as supostas elites intelectuais do mundoactual. Além disso, os pilares desta nova ordem ideológica tem unicamentebeneficiado regimes ditatórias quer a Ocidente, quer a Oriente, sistemas quetemem a Liberdade os Direitos Humanos, o exercício livre do pensamento,amarfanhando toda a pessoa humana que ouse o delito de ter uma opiniãodiferente.No seu todo o “Azul do Sul”é original pela forma como aborda o mundo mais optimista, é também uma obra commarcas intimistas, uma obra em que o sujeito poético se revela e esconde, massempre polifónico, cosmopolita, tanto campestre como citadino urbano, numprocesso de desconstrução e reconstrução do sujeito poético e do mundo. Emsíntese, “Azul do Sul” é um canto à Liberdade, à beleza e à poesia numalinguagem quase oral, de encantamento de enamoramento com o leitor e o mundoque o circunda. Ler, sorver e fruir o “Azul do Sul” é mais do que uma busca dafelicidade, é sobretudo a “Felicidade” em si mesma, feita pela mão do homem e agenerosidade de Deus.Em matéria de estrutura olivro é inovador já que começa com um prefácio que o não é, mas um poema, maisprecisamente sobre a infância, abrindo caminho ao leitor para percorrer essecorrer vencer esse trilho, muitas vezes estreito, até a Felicidade. O final,por sua vez, também escapa aos cânones tradicionais, deixando uma mensagem de“Felicidades” aos leitores e uma dedicatória para todos aqueles que diariamentelutam por trazer à luz do dia a transparência da palavra, a sua limpidez, nuncaesquecendo todos esses que sentem na pele a censura, a autocensura, o medo, operigo de se afirmarem enquanto sujeitos, pessoas livres num mundo cada vezmais nefasto, mais perigoso mais escravagista da grande ditadura dopoliticamente correcto do grande “Big Brother”. Azul do Sul é sobretudo umaobra multicultural, onde Portugal surge subtilmente, mas esmorecido como numpôr de sol de inverno à entrada dessa bela Lisboa de outrora. Não é umaprofecia, mas uma espécie de Ilha dos Amores modernista, quase uma conversaintimista ora livre de conceitos agrilhoados, outras vezes em termos de conteúdoe forma poética num jogo de rebeldia...“Azul do Sul” é como umiceberg derretendo lentamente ao sol ou um gelado na boca das crianças e dosadultos quer no verão, quer no inverno com um potencial de gerar novas e belasestações em que do azul se pode reconstruir todo um universo de sonho e deesperança na humanidade. “Azul do Sul” é assim como que uma ressurreição de umdilúvio intelectual, político, social, econômico e espiritual que o mundoatravessa forjado nos eufemismos na vergonha do Ser e assente unicamente nadecadência do ter desavergonhado ou envergonhado, escondido na linguagemneoliberal por vezes a atingir o infâme desrespeito pelos direitos maisbásicos.A nível da linguagem, o usode diferentes níveis de língua, de coloquialismos, registos quaseregionalistas, a ironia o humor, este muitíssimo pouco usado em poesia, arecuperação de muitos vocábulos em desuso, a sátira e acrítica acutilantes, mordazes, cortantes a par de um lirismo quaseinocente em alguns dos poemas, tudo num texto coeso e coerente onde asonoridade, a musicalidade fonológica captam facilmente o ouvido do leitor numbelo canto ritmado, bem disposto e divertido.Importa notar aparticularidade de o poeta ter recuperado figuras emblemáticas da história dosDescobrimentos, ou seja, de Portugal, da busca do azul, um pouco à semelhançade F. Pessoa, na sua magistral obra A Mensagem, recuperação quase patriótica nabusca de um império sugerido por A.Vieira e retomando com outras nuances por F.Pessoa. O império da língua surge-nos também nesta obra como o grande caminho aúnica via para o enobrecimento do nome de Portugal no mundo, sendo o Sul o seudevir. Ousaria dizer ainda, emboraexagerando, que Azul do Sul é como se fosse um auto vicentino vanguardista, umatransfiguração vanguardista de uma alegoria num sujeito real numa viagem deprocura de saída dos infernos a norte a caminho do paraíso a Sul, onde sóalguns lá chegarão. Além disso, acredito que haverá um antes e um depois naLiteratura Portuguesa com esta obra de Vasco Cabral de Magalhães. Se por umlado apresenta contornos de neo-decadentismo metaforicamente representado pelonorte e também de neo-modernismo na linguagem no texto poético bilíngue, Azuldo Sul é na minha modesta opinião, sobretudo uma obra vanguardista na estruturaquebrando com cânones e modelos tradicionais e mesmo no conteúdo e na forma,arrepiando caminho num tempo cada vez mais pueril, imediatista, fulminante,onde aqui e ali se notam sinais inovadores de code switching em vários dospoemasEm síntese “Azul do Sul” éa esperança, um alerta para a construção de um Mundo melhor mais pacífico maisFeliz, um Universo de luzes e cores onde o Azul se sobrepõe ao negro ou aobranco, cores de luto de perda de dor tanto a ocidente como a oriente.“Azul do Sul” almeja noessencial a eternidade de todos os homens e de seu espírito positivo.“Primavera Azul”, o penúltimo poema aponta precisamente para isso, deixando umaluz, uma porta, uma janela que cada um terá de abrir por si mesmo. Ainda emmatéria de linguagem, o poeta não se esconde abriga numa linguagem conceptualfechada em si mesma, de erudição fabricada, rebuscada, acadêmica, mas de umaanti-corrente escorreita, versátil, simples, criativa muitas vezes do domíniooral, permitindo múltiplas leituras e uma proximidade substantiva com o leitorseja de que espaço físico, cultural geográfico ou mesmo ideológico for. Poroutro lado, o último poema Natal a Norte... Natal do Sul sugere-nos o milagreda criação, sem a qual a vida, o quotidiano, o amor, o sonho seriam espaço etempo de morte, de asfixia, de capitulação perante os fantasmas, os negrumes davida. ? exactamente nesse Sul que poderemos encontrar o futuro em cada um denós, bastando saber aprender a remar, a voar com palavras ou em silênciosmundos nunca modernamente conhecidos.Em jeito de conclusão,diria que Azul do Sul é uma obra contra a corrente, contra o mainstream, contrao medo e sobretudo é uma obra poética sem medo daspalavras, sem medo do linchamento público pelos media, pelos arautos da críticaliterária, sem medo do politicamente correcto que silencia escritores, poetas,jornalistas e o cidadão comum. Azul do Sul é, na sua essência, um canto àliberdade de expressão e simultaneamente um hino à Língua Portuguesa. Ma Nu

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