Dramaturgia, o texto que nasce do corpo: relações entre escrita e oralidade na construção do texto teatral

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O presente trabalhodiscute a relação entre escrita e oralidade na criação dedramaturgia. Analisa as características específicas de cada modo deutilizar a linguagem verbal, questionando os paradigmas estabelecidosnas formas de entender o texto teatral. Para isso, questiona otratamento dado às criações orais dos atores em situações nasquais não contam com um texto escrito em sua origem para aconstrução do texto verbal. Entende que a escrita constitui umaforma de tecnologia para construção textual surgida ao longo dahistória e que, nesse sentido, não dá conta da totalidade daexperiência com a linguagem verbal em sua totalidade. O objetivo érecolocar a criação oral do ator sob outro ponto de vista,entendendo suas características a partir da discussão sobre aoralidade e colaborar, desse modo, para uma melhor utilização desserecurso em processos que o utilizem para a construção do textofinal ou texto espetacular. Os principais teóricos utilizados foramWalter Ong, que estuda as relações paradigmáticas entre escrita eoralidade, as quais, segundo ele, representam formas mentais eculturais distintas de relacionar-se com a linguagem verbal, o queconduz a procedimentos de criação verbal e característicasespecíficas para cada forma de textualidade; e Paul Zumthor, o qualreflete sobre essas diferenças no campo da arte, entendendo que acriação essencialmente oral pressupõe construção verbal eperformance vocal na mesma instância de criação, dando-se, no casoda improvisação, no mesmo tempo e espaço da performance. Ametodologia utilizada foi o levantamento e análise de fontesbibliográficas sobre escrita, oralidade e o texto no teatro, oacompanhamento dos ensaios e realização de entrevistas com um grupoteatral que baseia seu processo de construção de dramaturgia naimprovisação do ator (Grupo teatral UTA – Usina do Trabalho doAtor, da cidade de Porto Alegre); e descrição e análise deexercícios de improvisação, desenvolvidos numa experiênciaprática realizada durante a pesquisa, para a construção dedramaturgia. A partir dos dados observados e da práticadesenvolvida, inicialmente, foi possível perceber que a escrita e aoralidade possuem formas distintas de serem experienciadas eproduzidas pelo ator, o que reflete em certas diferenças naconstrução do texto teatral. Essas diferenças, mais do quedeterminarem resultados, referem-se a aspectos do processo deconstrução do texto verbal, modo como ele pode ser contextualizadoe, consequentemente, experienciado enquanto obra teatral. Contudo,essas questões ainda não são completamente reconhecidas pelateoria do texto teatral, a qual oferece um entendimento sobre o signolinguístico no teatro como algo essencialmente ligado ao fenômenoda escrita. Além disso, foi visto que uma dramaturgia criadaoralmente, sem a utilização da escrita enquanto técnica decomposição textual, tende a colocar corpo e palavra como suportesum do outro, construindo uma unidade criativa para o ator. Estacriação verbal parte de uma relação sígnica constituída detodos os elementos teatrais envolvidos na elaboração cênica e, porisso, apenas nesse contexto pode assumir valor estético e formal deobra teatral. O reconhecimento das características e das diferençasentre escrita e oralidade na elaboração do texto de teatro podeorientar novas buscas para a construção de dramaturgia a partir dotrabalho do ator, assim como trazer novas luzes ao papel do signolinguístico no evento teatral, amparando-se, para isso, naproblematização e na criação de novos olhares sobre a relaçãoentre corpo e palavra.

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