Há Fogo na Montanha!

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Se existe um largo consenso teórico para a criação de áreas protegidas, como instrumentos, entre outros, de uma política geral de ordenamento do território, na prática, a sua implementação é uma tarefa árdua, porque as instituições e as pessoas não estão disponíveis para pagar um certo preço. Na verdade, uma visão demasiado antropocêntrica criou uma cultura de permanente delapidação do património e dos recursos naturais, que esquece que os recursos económicos começam sempre por ser recursos naturais e que sem estes e o respectivo contexto, ou seja, a natureza, não há futuro. ? sobre este caminho difícil de criação de áreas protegidas que nos fala Robert Manners Moura neste seu livro, algo autobiográfico, na área protegida que é o fulcro da acção: o Parque Natural do Alvão. Além disto, a serra, que, até tempos recentes, esteve muito isolada do exterior, possui valores cobiçados pela cidade: a água, a floresta, os recursos minerais, o gado, os pontos culminantes do relevo (importantes para as telecomunicações), as cumeadas (relevantes para a instalação de aerogeradores), os cursos de água (valiosos para a energia hídrica), as potencialidades geográficas e topográficas para a construção de estradas etc.Tudo isto poderia ser uma mais-valia para as populações locais mas não o tem sido. Desenvolvem-se, assim, conflitos entre a sociedade urbana e a rural, isto é, entre os factores de alteração e os factores de conservação contextual.Na segunda metade do livro, uma estranha e violenta história - a apropriação dos baldios serranos para a instalação da floresta Estatal, no tempo da ditadura - é contada pelo autor, com foros de epopeia e tragédia. Este episódio é, naturalmente, uma ficção, mas baseado em acontecimentos que incendiaram e incendeiam ainda a montanha.

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