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Azul do Sul

  • Autor: Vasco Cabral de Magalhães
  • Estado: Público
  • Nº de páginas: 152
  • Tamanho: 170x235
  • Miolo: Preto e branco
  • Paginação: Colado
  • Acabamento da capa: Brilho
  • Livros vendidos: 1
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“Azul do Sul” é uma metáfora é um lugar mítico e movediço, um lugar impermanente, um tempo inconstante onde só o céu e o mar permanecem no seu lugar, além do azul, que se deseja global, constante, clímax da felicidade humana, da lucidez, da transparência do multiculturalismo nas suas milhentas formas, raízes e manifestações idiossincráticas.

É também um reencontro de alma com o corpo, com a substância da vida, com os elementos da natureza e suas tonalidades e com os universos oníricos, psicológicos, indistintos e concretos que se movem cardinalmente de norte para sul e vice-versa.

Uma escrita de viagem, sugerindo um caminho da infância à idade madura, uma escrita de viagem no tempo real e oculto, passando pela primavera, o verão o outono o inverno, o nascente e o poente.. A dicotomia norte-sul ao longo do texto poético aponta-nos para uma visão um tanto maniqueísta entre o Bem e o Mal, em que o primeiro vai perecendo decadentemente minado pela corrupção dos valores humanos, a avidez a inveja e mesquinhez, enquanto o sul nos transporta para um universo quase sobrenatural, límpido, transparente, quase como um hino à alegria à beleza humana e da natureza e obviamente ao azul, visto que a norte perduram o vermelho do sangue derramado, o cinzento do quotidiano, o negro da morte, revelando-se nesta busca do sujeito poético uma semiótica cromática polissêmica numa viagem num processo de «Lost Paradise» e «Regained Paradise»

Assim, o norte também ele metafórico, representa os seres humanos vivos, desfigurados, desumanizados, enrugados e corrompidos pelo próprio homem, a sua condição destruidora da capacidade de sonhar de fazer ... e reconstruir. O norte é pouco ou nada amigo do ambiente, o sul é a natureza e a sua ligação ao homem, ao sol, ao luar, à água, ao ar e ao espaço da escrita, o lugar de todas as marés vivas enquanto o norte mais uma vez é espaço de fado putrificado, o espaço e tempo das marés mortas.

Vasco Cabral de Magalhães, poeta viajante, errante, cosmopolita, excêntrico, despido de preconceitos de linguagem, afortunado, inconformado com o tédio global a apatia global que actualmente esmaga a criação a individualidade traz-nos em «Deuses de Barro…», a bizarria, a hipocrisia, a verdade pós-mentira de todos os espectros políticos à escala transnacional, numa sátira acutilante, sem medo nem rodeios, feroz num escárnio, numa náusea, num gozo contundente num divertimento sério, numa paródia onde não faltam as farpas viperinas, cáusticas plenas de humor negro, caricaturais em que o sujeito poético assume-se como Deus – o poema e o poeta não morrem-, numa espécie de auto-ironia, de jogo de monopólio com o mundo e o novo deus- o Dinheiro-, e a ambição desmedida, pacóvia, provinciana do exercício do poder pelo poder a troco de uma linha ou simples paragrafo na história nacional ou mundial, revelando o carácter mesquinho, a pequenez, a vaidade de líderes, de homens menores.

Na mesma linha, porém remetido ao contexto nacional português antes e após Abril, Vasco C. Magalhães apresenta-nos como que um skecth, um entremez a respeito do Estado Novo e dos líderes políticos pós revolução num incrível e jocoso poema arrepiante, hilariante da história recente e contemporânea portuguesas.

O poema «Deus de Barro», assim como a «Paródia dos Sete Antónios … do Norte», remetem-nos para o Reino da Dinamarca, para Hamlet de Shakespeare, onde a inveja a traição, a corrupção corrompem a corte decadente, despida de valores humanos …

Por outro lado, os dois poemas sugerem-nos o mundo automatizado, o mundo autómatos formatados mecanizados de o «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley e mais recentemente para os universos orwellianos de «Animal Farm» e «1984», tudo isto por oposição à ideia de Utopia subjacente a Sul.

Estando a poesia de intervenção, de resistência a atravessar uma profunda crise fruto do medo que se instalou à escala mundial no mundo da arte e da literatura em particular, Azul do Sul não deixará de marcar a diferença, de se vir a revelar uma obra marcante no futuro tanto pela coragem e rebeldia do autor nestes dois poemas em especial, mas também pelas tonalidades de matriz social, política humana transversal a toda a obra, a qual se revela como um acordar das consciências contra a alienação, a endocrinação, o pensamento único, totalitário da ideologia global assente no medo no terror na mordaça na autocensura e nos eufemismos em que a liberdade de expressão individual, a democracia estão em causa e que apenas tem servido maravilhosamente a ignorância, a formatação, gente acrítica e mesmo manipulando as supostas elites intelectuais do mundo actual. Além disso, os pilares desta nova ordem ideológica tem unicamente beneficiado regimes ditatórias quer a Ocidente, quer a Oriente, sistemas que temem a Liberdade os Direitos Humanos, o exercício livre do pensamento, amarfanhando toda a pessoa humana que ouse o delito de ter uma opinião diferente.

No seu todo o “Azul do Sul” é original pela forma como aborda o mundo mais optimista, é também uma obra com marcas intimistas, uma obra em que o sujeito poético se revela e esconde, mas sempre polifónico, cosmopolita, tanto campestre como citadino urbano, num processo de desconstrução e reconstrução do sujeito poético e do mundo. Em síntese, “Azul do Sul” é um canto à Liberdade, à beleza e à poesia numa linguagem quase oral, de encantamento de enamoramento com o leitor e o mundo que o circunda. Ler, sorver e fruir o “Azul do Sul” é mais do que uma busca da felicidade, é sobretudo a “Felicidade” em si mesma, feita pela mão do homem e a generosidade de Deus.

Em matéria de estrutura o livro é inovador já que começa com um prefácio que o não é, mas um poema, mais precisamente sobre a infância, abrindo caminho ao leitor para percorrer esse correr vencer esse trilho, muitas vezes estreito, até a Felicidade. O final, por sua vez, também escapa aos cânones tradicionais, deixando uma mensagem de “Felicidades” aos leitores e uma dedicatória para todos aqueles que diariamente lutam por trazer à luz do dia a transparência da palavra, a sua limpidez, nunca esquecendo todos esses que sentem na pele a censura, a autocensura, o medo, o perigo de se afirmarem enquanto sujeitos, pessoas livres num mundo cada vez mais nefasto, mais perigoso mais escravagista da grande ditadura do politicamente correcto do grande “Big Brother”. Azul do Sul é sobretudo uma obra multicultural, onde Portugal surge subtilmente, mas esmorecido como num pôr de sol de inverno à entrada dessa bela Lisboa de outrora. Não é uma profecia, mas uma espécie de Ilha dos Amores modernista, quase uma conversa intimista ora livre de conceitos agrilhoados, outras vezes em termos de conteúdo e forma poética num jogo de rebeldia...

“Azul do Sul” é como um iceberg derretendo lentamente ao sol ou um gelado na boca das crianças e dos adultos quer no verão, quer no inverno com um potencial de gerar novas e belas estações em que do azul se pode reconstruir todo um universo de sonho e de esperança na humanidade. “Azul do Sul” é assim como que uma ressurreição de um dilúvio intelectual, político, social, econômico e espiritual que o mundo atravessa forjado nos eufemismos na vergonha do Ser e assente unicamente na decadência do ter desavergonhado ou envergonhado, escondido na linguagem neoliberal por vezes a atingir o infâme desrespeito pelos direitos mais básicos.

A nível da linguagem, o uso de diferentes níveis de língua, de coloquialismos, registos quase regionalistas, a ironia o humor, este muitíssimo pouco usado em poesia, a recuperação de muitos vocábulos em desuso, a sátira e a crítica acutilantes, mordazes, cortantes a par de um lirismo quase inocente em alguns dos poemas, tudo num texto coeso e coerente onde a sonoridade, a musicalidade fonológica captam facilmente o ouvido do leitor num belo canto ritmado, bem disposto e divertido.

Importa notar a particularidade de o poeta ter recuperado figuras emblemáticas da história dos Descobrimentos, ou seja, de Portugal, da busca do azul, um pouco à semelhança de F. Pessoa, na sua magistral obra A Mensagem, recuperação quase patriótica na busca de um império sugerido por A.Vieira e retomando com outras nuances por F. Pessoa. O império da língua surge-nos também nesta obra como o grande caminho a única via para o enobrecimento do nome de Portugal no mundo, sendo o Sul o seu devir.  

Ousaria dizer ainda, embora exagerando, que Azul do Sul é como se fosse um auto vicentino vanguardista, uma transfiguração vanguardista de uma alegoria num sujeito real numa viagem de procura de saída dos infernos a norte a caminho do paraíso a Sul, onde só alguns lá chegarão. Além disso, acredito que haverá um antes e um depois na Literatura Portuguesa com esta obra de Vasco Cabral de Magalhães. Se por um lado apresenta contornos de neo-decadentismo metaforicamente representado pelo norte e também de neo-modernismo na linguagem no texto poético bilíngue, Azul do Sul é na minha modesta opinião, sobretudo uma obra vanguardista na estrutura quebrando com cânones e modelos tradicionais e mesmo no conteúdo e na forma, arrepiando caminho num tempo cada vez mais pueril, imediatista, fulminante, onde aqui e ali se notam sinais inovadores de code switching em vários dos poemas

Em síntese “Azul do Sul” é a esperança, um alerta para a construção de um Mundo melhor mais pacífico mais Feliz, um Universo de luzes e cores onde o Azul se sobrepõe ao negro ou ao branco, cores de luto de perda de dor tanto a ocidente como a oriente.

“Azul do Sul” almeja no essencial a eternidade de todos os homens e de seu espírito positivo. “Primavera Azul”, o penúltimo poema aponta precisamente para isso, deixando uma luz, uma porta, uma janela que cada um terá de abrir por si mesmo. Ainda em matéria de linguagem, o poeta não se esconde abriga numa linguagem conceptual fechada em si mesma, de erudição fabricada, rebuscada, acadêmica, mas de uma anti-corrente escorreita, versátil, simples, criativa muitas vezes do domínio oral, permitindo múltiplas leituras e uma proximidade substantiva com o leitor seja de que espaço físico, cultural geográfico ou mesmo ideológico for. Por outro lado, o último poema Natal a Norte... Natal do Sul sugere-nos o milagre da criação, sem a qual a vida, o quotidiano, o amor, o sonho seriam espaço e tempo de morte, de asfixia, de capitulação perante os fantasmas, os negrumes da vida. É exactamente nesse Sul que poderemos encontrar o futuro em cada um de nós, bastando saber aprender a remar, a voar com palavras ou em silêncios mundos nunca modernamente conhecidos.

Em jeito de conclusão, diria que Azul do Sul é uma obra contra a corrente, contra o mainstream, contra o medo e sobretudo é uma obra poética sem medo das palavras, sem medo do linchamento público pelos media, pelos arautos da crítica literária, sem medo do politicamente correcto que silencia escritores, poetas, jornalistas e o cidadão comum. Azul do Sul é, na sua essência, um canto à liberdade de expressão e simultaneamente um hino à Língua Portuguesa.

 

 

Ma Nu

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