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Dor, Prazer em Conhecer

Impostos e envio não incluídos
  • Autor: Luiz Miguel Araújo
  • Estado: Público
  • Nº de páginas: 288
  • Tamanho: 170x235
  • Miolo: Preto e branco
  • Paginação: Colado
  • Acabamento da capa: Brilho
  • Downloads: 6
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No dia 24 de dezembro de 1994, véspera de natal eu sai de casa para um passeio, o dia estava nublado, mas resolvi e fui com meus colegas.

Às vezes somos surpreendidos de forma tão inesperada, que temos certeza que aquilo jamais nos acontecerá; Em muitos casos com os outros pode até ser que a gente já tenha visto acontecer, mas conosco... Impossível. Não que nos julgamos imunes, mas é que é tão surreal, que não processamos o inesperado.

                Vejamos o exemplo de uma tragédia; Na tarde do dia vinte e quatro dezembro de noventa e quatro, estava eu acompanhado de alguns amigos, a fim de iniciar as festividades natalícias. Decidimos então fazer um passeio a um vilarejo próximo a Belo Vale. Meus amigos beberam bastante, como sempre fazíamos em datas festivas e finais de semanas, no entanto, naquele dia eu não estava muito disposto a beber como de costume, preferi a companhia de uma amiga para um bom papo.

                Enquanto eles se banhavam em um ribeirão, que passava próximo de onde me encontrava, via-os se divertindo como sempre, mas não me demovi dá decisão de permanecer ali, conversando sobre o ano que se aproximava e com ele sonhos a serem realizados e metas a alcançarmos. Jovens cheios de sonhos e anseios, sem nenhuma preocupação ou responsabilidade com o futuro.

                Caprichoso, que é destino, ao decidirmos que era hora de irmos embora, mudei de ideia e fui dar um mergulho, mesmo a água estando suja e a lagoa rasa... Ao me jogar a água se abriu e meu corpo se chocou bruscamente contra o chão duro, imediatamente perdi a sensibilidade do corpo. Meu Deus, ao abrir os olhos o que vi foi um cenário amarelado, parecia um prenúncio do meu futuro, turvo, sombrio. Ao menos foi o que pensei nos primeiros quinze dias, pós-acidente.

                Foi então que iluminado por Deus, pensei;  “Se fosse um dos meus irmãos, o que eu poderia fazer por eles e por minha mãe?”... Então com os olhos lacrimejantes, balbuciei: “Por mim, eu só preciso viver.” Desde então venho descobrindo a vida dia a dia, uma novidade, uma conquista a cada novo amigo. Descobri um jeito diferente de olhar o mundo, o futuro e viver o amor. Sabia que nada seria mais como antes, mas eu estava vivo e isso agora era o mais importante.

Hoje sem as pernas para caminhar, encontrei nas asas da imaginação uma forma de voar, indo onde minhas pernas jamais poderiam me levar. Aprendi muito nestes anos, sofri, chorei, cantei, sorri, mas o que quero é mais que sentir, quero ser útil e, percebo que somente através do meu trabalho é que conseguirei alcançar meu intento. Não quero, tão pouco preciso ser tratado com piedade, apenas com o respeito que conquistar.

 

 

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